Pirarucu(2ª parte)
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Pirarucu, alguns chegam a alcançar quase três metros de tamanho. |
O
Nordeste brasileiro sofre de tempos em tempos os efeitos terríveis do flagelo
da seca, que, não obstante apresentar-se de forma episódica, encorpa também certa
sina cíclica, espalhando a desgraça e a miséria nestes períodos sinistros onde o
capital amealhado à duras penas, com enormes sacrifícios, é bestamente destruído
penalizando alem do homem com a terrível devastação nas terras herdadas dos
seus ancestrais, penaliza também a própria natureza, subtraindo-lhes a fauna e
a flora. Por conta da insegurança causada por essas tramóias perpetradas pelo
nosso clima, é que o nordestino optou
por cultivar espécies vegetais mais resistentes aos climas secos de solos
áridos. Da mesma maneira o fez com animais mais adaptados como os caprinos e o
gado mestiço (bovinos). No entanto, ao assumir tal conduta derrubou as matas
nativas, onde existiam plantas naturalmente adaptadas as intempéries do clima
de pouca densidade pluviométrica, como:
xique-xique, mandacaru, cardeiro, coroa- de- frade, bromélia, oiti, facheiro,
trapiá, macambira,faveleira,carnaúba, craibeiras, pereiro, oiticica, juazeiro,
mofumbo, jurema-preta, etc., tec., etc., deram lugar a descampados destinados a
criação de animais e a imensos roçados, de vulneráveis monoculturas, satisfazendo
a ganância do lucro fácil, no plantio e benefício do ouro branco – o algodão.
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A pesca predatória quase o leva a extinção, mesmo no Amazonas. |
Desmatou-se
o solo tanto para abrir os espaços, quanto para utilizar a madeira como fonte
de energia de uma indústria incipiente movida a máquinas a vapor. Parte dela foi transformada em carvão para
alimentar pequenas fornalhas. Outra parte foi utilizada como material de
construção. De sorte que, o nosso solo já há muito erodido transformou-se, incapaz
que ficou de captar e absorver as parcas e erráticas chuvas, em paragens
desérticas sujeitas à ação nefasta dos ventos alísios, das virações. Quando
sumiram nossas matas nativas – substituídas, que foram, por monoculturas que
feneceram sob o ataque de pragas terríveis, para as quais todos os esforços
despendidos em seu combate se mostraram ineficazes
– secaram nossos rios, barreiros, lagoas, açudes e barragens. Alguns deles
tornaram-se esgotos fétidos e sem vida, cheios de dejetos industriais nocivos e
venenos terríveis, usados na lavoura por homens ignorantes e, portanto,
despreparados. E assim, completando este quadro de tristeza, morreram ou afastou-se
do nosso convívio a maioria dos nossos animais, principalmente- é desnecessário
dizer – os aquáticos.
No meio
destes, sumiram do Seridó os impressionantes pirarucus...
Natal-RN, 23 de julho de 2012.
Gibson Azevedo - Seridoense.
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