quarta-feira, 12 de junho de 2013

O complemento.

                                
No princípio era o Verbo e o Verbo era Deus.
                                   Neste dia dos namorados mando daqui alguns rabiscos, obra da minha insignificante caneta. Que risquem os céus!... Que naveguem o mundo!




                                   O complemento


                                     Já dizia Baruch de Spinoza:
                                    “Se Deus não existisse
                                     Teria que ser inventado “.
                                     Vejo com clareza
                                     A Sua Existência e Ação,
                                     Quando me lembro da menina sem beleza,
                                     Que até poucos dias
                                     Era meu par de teimas e porfias,
                                     De presença descartável, sem valia...
                                     E Deus, na Sua forma inconfundível de Eros,
                                     Interferiu em meus atos e desejos...
                                     E aos meus olhos
                                     Transformou-a em fada que agora vejo,
                                     E não mais aquele corpo desengonçado e errático.
                                     Vejo molejos e formas que me movem todo,
                                     Desde as cordoalhas do meu coração de bobo
                                     Até as reentrâncias do meu esquecimento.
                                     Nunca mais, um pensar sozinho...
                                     Não mais
                                     A uma ação singular...
                                     O antigo eremita de hábitos solitários
                                     Ora é parte de um todo:
                                     Sina pétrea dos eternos enamorados.



                                      Natal-RN, 12 de junho de 2013.
                                          Gibson Azevedo – poeta.
 






quarta-feira, 5 de junho de 2013

As mesmas expectativas... Análogas incertezas.



                        As mesmas expectativas... Análogas incertezas.


                          O cidadão quando atinge um patamar, vivido na sua singular existência, volta-se por vezes para os seus semelhantes, acredito que, com boas intenções. Vendo-se bem sucedido na sua luta diária, sente o desejo de dividir esta experiência com seus contemporâneos, como forma de compensar as diferenças que existem naturalmente entre os homens, quando a grande maioria são portadores da inépcia de enxergarem os resultados de dias vindouros, coisa que estes poucos bem-aventurados, com alguma facilidade, anteveem. Assim ocorre e assim estes personagens se conduzem até que a embriaguez, com a consequente empáfia que o poder produz na grande maioria dos que dele se acercam ou exercem-no, os deixem parcialmente cegos, incapazes, neste interregno, de enxergarem evidências que se desenrolam a “um palmo dos seus narizes”. Hoje mais do que antes - é necessário dizer. A vaidade humana não tem limites quando estimulada pelo falso mando que o poder confere às pessoas frágeis, iludindo-as em julgarem-se monumentais fortalezas, quando a realidade de todos, sem exceções, paira, arrancha-se caprichosamente ao rés do chão...
Vista aérea da atual Parnamirim

                         Existe encravada na aérea metropolitana de Natal-RN uma grande cidade conhecida mundialmente com o nome de Parnamirim. Este nome vem do tupi-guarani “Paraná-mirim”, que significa “pequeno parente do mar” ou “pequeno rio veloz”. Acredita-se atualmente, que esses pequenos cursos d’água aos quais se referiam os silvícolas antigos da época da colonização, possa, há tempos, terem desaparecido.
                        É um lugar de terras planas, de bons ventos sem bruscas mudanças, clima agradável. Talvez por isto, no começo do século passado, despertou interesse às incipientes empreses aéreas dos primórdios da aviação comercial do mundo civilizado.  Citamos como exemplo a LATI (Companhia Aérea Italiana); a CGEA (Compagnie Generele Aéropostale) – instalada em terras que foram doadas em 1927 pelo comerciante Manuel Machado e absorvida tempos depois pela Air France, que fez investimentos na área com a construção de novos hangares - local onde hoje se localiza a Base Aérea de Natal. Daí a importância, no nosso país e no mundo, do Lugar chamado Parnamirim para o desenvolvimento da aviação comercial internacional.
                       No conflito bélico mundial, no período de 1939 a 1945, o governo brasileiro celebrou  com governo norte-americano um acordo de defesa mútua, no qual cedíamos àquele país as instalações aéreas aqui sediadas, nas quais os ianques instalaram a maior base aérea no palco da guerra tocante ao Atlântico Sul. Esta Base tinha uma divisão: no lado oeste ficava o setor dos militares brasileiros e, no lado leste do campo ficava o que se chamava de Parnamirim Field, que na realidade era o maior campo de aviação americano na Segunda Guerra mundial fora dos Estados Unidos.
                       Ela foi, com justiça, cognominada de “Trampolim da Vitória” devido a sua importância para o desfecho do citado conflito. Depois da guerra (1951) a Estação de Passageiros da Base Aérea de Natal elevou-se a categoria de Aeroporto Internacional Augusto Severo.
                      
                          No entanto, todos estes procedimentos evolutivos, principalmente os que ocorreram na época do referido conflito mundial, somente se fez sentir dentro dos limites da Base Aérea propriamente dita. Na comunidade que antes já existia, com seus pouquíssimos habitantes nativos, não se sentiu mudança alguma e o lugarejo não andou, não evoluiu.
 
Centro da Parnamirim antiga (busto do Brig.Eduardo Gomes).
                       
Em 1946 a base leste foi entregue à FAB. Tornou-se necessário atrair todo tipo de artífices e operários para tocarem este novo aparelho militar, agora sob a tutela dos brasileiros. Chegaram, então, de todos os recantos do país, pessoas que realmente construíram o Lugar que depois alçou a condição de cidade chamada Parnamirim. Eram homens e mulheres que “arregaçaram as mangas” e “pegaram no pesado” para transformar, em poucas décadas, uma pequena aldeia na hoje pujante segunda maior cidade do Rio Grande do Norte, afora a capital.  A estas pessoas, a hoje atual partícipe da área metropolitana de Natal deve muito. Muitos daqueles abnegados - a maioria, autodidatas-, cortaram por completo o cordão umbilical que os uniam às suas terras de origem e adotaram, sem o medo dos lamentos da saudade, aquela nova urbe como o seu novo lar. Dentre eles tenho notícias de Eliah Maia do Rego, que, a seu modo, inventou o ensino público criando um curso ginasial numa comunidade onde só havia ignorantes. Ainda não satisfeito, com a ajuda de inseparáveis amigos, foi figura de proa na fundação e construção de um clube social para alegrá-los no lazer dos seus vagares, no qual, além das tradicionais festas e tertúlias, funcionou a sede uma difusora a divulgar cultura aos quatro cantos e, inúmeras vezes, com o fervor daqueles que amam (de forma amadora), encenaram-se várias peças teatrais com bastante sucesso, sob a sua direção. Era um homem devotado às artes, que vivia e divulgava cultura. Muitos jovens daquele tempo, que viveram uma Parnamirim em começo, devem o seu gosto pelas artes cênicas àquele herói voluntário, um visionário sem limites. Amigos como Antenor Neves (prefeito em dois mandatos), Hercílio Luna Pedroza, Eduardo Medeiros, Luiz Gonzaga de Andrade, Aristides Lago Neto, Jaime Peregrino e tantos outros que permanecem incógnitos, inclusive seus familiares (parentes e contraparentes ), foram os seus constantes e fiéis colaboradores.

                         Atualmente está sendo construído, neste brilhante arruado, o Teatro Municipal de Parnamirim – O Cine Teatro, de 4.402 mts² com pavimentos (térreo e 1º andar), um dos maiores do nosso Estado. Consta-nos que será breve a inauguração. Espera-se uma atitude sobranceira e equilibrada, de pura altaneria, do atual prefeito o Sr. Maurício Marques dos Santos e dos digníssimos representantes do povo, seus ilustres vereadores, que faça Justiça a quem de direito e batizem com muita pompa e alegria esta nova casa de espetáculo, como sendo: Teatro Municipal de Parnamirim – Cine Teatro Eliah Maia do Rego.
                                Nunca é tarde para agirmos acertadamente... Atentem, senhores!

                                          Natal-RN, 06 de Junho de 2013.
                                               Gibson Azevedo – poeta.
           

                           




terça-feira, 14 de maio de 2013

Temporada das xananas


                                                           Temporada das xananas       

                              
                      Neste período de começo de inverno, com algumas pouco usuais friagens noturnas e erráticas pancadas de chuvas, neste clima pouco mudado que mal percebemos-lhe a diferença, assim mesmo uma florzinha eterna companheira dos bêbados e mendigos, ornamento natural dos deserdados da sorte e que na rua dormem e vivem, apesar de florir o ano todo, é neste momento do tempo que ela floresce com todo vigor e beleza, a saudar as manhãs da nossa cidade doando-nos, na sua simplicidade de planta rústica, todo um espetáculo particular no esplendor de bondade que a natureza nos confere. 
 
A xanana não tem o cheiro das flores cultivadas.
                           Assim como o maior poeta francês, François Villion, cognominado de poeta dos ladrões, dos mendigos, dos bêbados e das prostitutas, as xananas (nós os poeta preferimos grafá-la com “X” ao invés de com “CH” com manda o bom vernáculo. É mais charmoso...) também escolheram este público alvo, para com a sua beleza mais que natural, mesmo sem cheiro algum, enfeitar o repouso destes deserdados do destino, pessoas de viver errático, de sobrevivência empírica sem a fortuna como companheira. Ali nos cantos de calçadas, nos canteiros mal cuidados das ruas, nos lugares mais improváveis, elas florescem em todo seu esplendor para dar um pouco de estímulo, de alegria às vidas destes desterrados, pessoas desprovidas das coisas básicas mesmo vivendo no seu próprio país. 
 
Xanana esbanjando beleza.
                       As xananas, dentro de sua tenaz resistência, sendo exemplo vivo da luta pela sobrevivência, são arautos de esperanças, bem-vindas em todas as manhãs, pois abrem-se ao nascer do sol e fecham suas pétalas por volta de onze e trinta, já pertinho do meio dia.  Elas também convivem com os pardais, vagabundos alados, pouco canoros, de canto pouco apreciado e que também tem o mesmo costume dos cães vadios, de sobrevivência parecida, que por vezes procuram comida nos depósitos de lixo. Estas florzinhas também lhes enfeitam a vida...
 
Xananas na exuberância magna de "rainha dos canteiros" que dividem o asfalto das ruas.
                         
Nesta época do ano, vemos a sua floração aparecer com toda a força deste espetáculo natural. Como digo muitas vezes, ao deparar-me com inúmeros detalhes da criação Divina,  proclamo a plenos pulmões:
                                Viva à vida! Viva a Deus!...

 Natal-RN, 14 de maio de 2013.
  Gibson Azevedo – poeta.
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