Ainda
bem que este ano, aqui no nordeste brasileiro, o inverno chuvoso deu o “ar da
graça” e mostrou-se generoso à nossa população campesina e a vida reviveu
verdejante nas queridíssimas paragens rurais de nossa região.
Nada
disto aconteceu há doze anos passados... e naqueles dias escrevi:
Seca,
a maldição de sempre
De tão
nefasta, a seca chega a nos dar saudades dos anos de boas chuvas... Nestes
dias, nos quais mais uma vez o nordeste padece com as agruras de, talvez, mais
um ano de seca em sequência ao negro período de estio do ano que findou, vê-se
avizinhar a certeza da tragédia da “terra calcinada” na qual na qual esta
região se transformará – local onde não sobreviverá a maior parte da sua fauna
e sua flora. Restarão apenas alguns espécimes da vegetação nativa. Nas velhas
caatingas somente serão ouvidos os cansativos e irritantes zumbidos das
cigarras e o farfalhar fantasmagórico de galhos secos ao sabor dos açoites das
fortes virações. Deste quadro, o mais terrível é escutar o berro da dor da fome
e da sede da inocente animália que aos poucos, ofegantes, perdem suas vidas. É
triste a constatação, por parte destes pobres animais, que as costumeiras e
acolhedoras “Bebidas”, do refrigério de sempre, não mais existem. Mesmo assim,
ficam estes inermes animais a cheirar a terra seca onde outrora houvera água.
Este é o maior significado da palavra saudade que já tomei conhecimento na
minha modesta existência. É um sentimento por um “Ser bruto”, que, do âmago das
suas mais basilares necessidades, lembra a delícia e o bem que lhe fazia aquele
precioso líquido. Estes animais, ante ao inevitável desastre, vão se exaurindo nas
suas forças e estinguem-se. Não costumo criticar as forças naturais, mas diante
desta miséria não me furto em dizer: que coisa estúpida!
Um dia
destes caiu em minhas mãos um poema feito em decassílabos, que tinha um mote
fabuloso: “O Nordeste se enfeita e se perfuma/ Quando o pranto das nuvens se
derrama”. Ao tomar conhecimento deste mote perfeito, também o usei para, inspirado,
fazer uma sincera poesia, uma glosa, já que a saudade em melhores dias se aloja
no meu peito sertanejo, ensimesmado e macambúzio com mais esta tragédia
climática que se abate sobre nossa região. Vejamos:
Mote:
O Nordeste
se enfeita e se perfuma
Quando o
pranto das nuvens se derrama.
Glosa:
Juramentos
e propostas vem “de ruma”,
Em
resposta aos efeitos pluviais,
Veem-se ao
vivo os amores Celestiais:
O Nordeste se enfeita e se perfuma!
E nas
longas noites de boa bruma,
O desejo
nordestino se inflama,
No aconchego da rede ou da cama,
Chispando
nova vida, em centelhas:
Um bater de
sinos no barro das telhas,
Quando o pranto das nuvens se derrama!
...
Natal-RN,
18 de outubro de 2012(data do meu aniversário)
Gibson
Azevedo - Poeta