Alegria e tristeza
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Eu e o meu grande amigo. |
Os sentimentos, as emoções que se nos apresentam à nossa existência, por
mais díspares que nos possam parecer, são feitos com a mesma argila e agregados
caprichosamente no mesmo molde. Nada é estanque ou segregado, tudo se interliga
por caminhos imperceptíveis, todavia de enorme adesão, tornando-se difícil o
seu entendimento. Estão parelhos ou
caminham paralelos, o amor e o ódio, a alegria e a tristeza, o claro e o
escuro, a vida e a morte... Nada vem separadamente.
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Foto recente no aniversário de 30 anos de fundação do seu bar. |
Na semana que passou houve em
todo Nordeste Brasileiro um vergonhoso
“apagão”, ocasião na qual faltou, na maior parte daquela tarde adentrando ao
começo da noite, o necessário fornecimento de energia elétrica, fato que
transformou esta vasta região num verdadeiro pandemônio. Um desastre! Toda a nossa
matriz econômica ficou comprometida, e a grande massa de trabalhadores liberada
do trabalho antecipadamente, viu-se refém de um trânsito caótico,
"hiper-engarrafado", devido a todos os
semáforos terem ficado momentaneamente imobilizados, deixando, as normas dos
cruzamentos das principais artérias urbanas das grandes cidades, sob a lei pré-histórica
dos mais fortes. O nosso governo "pseudo-popular", de inúmeras e pouco recomendáveis
ações administrativas, deu-nos como desculpa e causa daquele ensaio de tragédia,
uma pequena queimada no Estado do Piauí. Não nos convenceu. Sobejamente sabemos,
que há muito não se investe neste setor estruturante, o que nos coloca em
posição de um perigo iminente, de um colapso catastrófico, de prognóstico ainda
desconhecido. Pois bem, naquela quarta feira, por conta deste maldito e
inesperado apagão, vi-me encalacrado num imenso e descomunal engarrafamento,
quando inadvertidamente me encaminhava ao trabalho. Como não havia muito
que fazer..., percebi que, com algum esforço e paciência, chegaria às
proximidades do tradicional bar do meu amigo Mário Barbosa. Já se fazia tarde. Escurecia
rapidamente no rastro de uma chuvinha persistente. Lá chegando, encontrei o
ambiente cheio de pessoas que, como eu, fugíamos das desventuras das ruas às escuras
e prenhe de carros. Comprovei, naquele momento, a veracidade das supracitadas assertivas. Presenciei uma inesperada e alegre reunião humana,
meio a um ambiente caótico e escuro, iluminado à luz de velas. Esta foi a anti-penúltima
vez que vi este meu grande amigo com
vida. Confesso que aquela ocasião ficou gravada na minha memória como se fosse a última. Lembro
dele brincando ao acender algumas velas, dizendo que elas seriam para pagar uma
promessa feita ao seu santo de devoção: o Padre João Maria. Argumentava: “tenho
muita afinidade com o Pe. João Maria ...” “ Ele vai entender por eu estar
usando-as, pois ele sabe que comprarei outro maço e acenderei todas em intenção à sua santa memória”. Mário Barbosa da Silva morreu hoje, dia 02 de outubro de
2013.
Descanse em paz,
amigo!
Natal-RN, 02 de setembro de 2013.
Gibson Azevedo
"Nenhum Homem é uma ilha, um ser inteiro em si mesmo; todo homem é uma partícula do Continente, uma parte da terra. Se um pequeno torrão carregado pelo Mar deixa menor a Europa, como se todo um Promontório fosse, ou a Herdade de um amigo seu, ou até mesmo a sua própria, também a morte de um único homem me diminui, porque Eu pertenço à Humanidade. Portanto, nunca procures saber por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti."
John Donne - poeta
Natal-RN, 02 de setembro de 2013.
Gibson Azevedo
"Nenhum Homem é uma ilha, um ser inteiro em si mesmo; todo homem é uma partícula do Continente, uma parte da terra. Se um pequeno torrão carregado pelo Mar deixa menor a Europa, como se todo um Promontório fosse, ou a Herdade de um amigo seu, ou até mesmo a sua própria, também a morte de um único homem me diminui, porque Eu pertenço à Humanidade. Portanto, nunca procures saber por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti."
John Donne - poeta
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