terça-feira, 4 de novembro de 2014

Valsa fúnebre de Hermengarda.

           

              Saudade é uma distância que não tem jeito de encurtar ... É uma sensação de vazio que  nunca diminui. Coisas do pensamento...
             Caros amigos, mesmo lendo ou ouvindo alguém declamar do grande poeta alagoano Ledo Ivo, este singular poema, que creio ter ouvido mil vezes, mesmo assim não deixo de emocionar-me profundamente. É muita poesia definindo uma saudade: "Valsa fúnebre de Hermengarda!..."



                                      - Valsa fúnebre de Hermengarda -

Eis-me junto à tua sepultura, Hermengarda,
para chorar a carne pobre e pura que nenhum de nós viu apodrecer.

Outros viriam lúcidos e enlutados,
porém eu venho bêbado, Hermengarda, eu venho bêbado.
E se amanhã encontrarem a cruz de tua cova jogada ao chão
não foi a noite, Hermengarda, nem foi o vento.
Fui eu.
Quis amparar a minha embriaguez à tua cruz
e rolei ao chão onde repousas
coberta de boninas, triste embora.
Eis-me junto à tua cova, Hermengarda,
para chorar o nosso amor de sempre.
Não é a noite, Hermengarda, nem é o vento.
Sou eu.

                            Poeta Ledo Ivo

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