quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Matéria que não saiu na coluna do Madruga

No início do mês de Março, do ano de 2005, o meu dileto amigo Evandro Fernandes, perguntou-me se eu já havia percebido que na coluna do Woden Madruga, do jornal "Tribuna do Norte" da nossa Capital, estava havendo uma exibição gratuita de algumas glosas que chegavam ao email daquele destacado Jornalista. Sou muito desligado e ainda não havia detectado aquela festança poética. A situação era a seguinte: o Dr. Paulo Bezerra, mais conhecido pelos íntimos por Paulo Balá, literato que adotou o estilo epistolar de escrever - o que faz muito bem, é bom frisar -, numa de suas muitas cartas escritas àquele jornalista, que as publica na íntegra, referia-se com tristeza ao estado de abandono ao qual estava entregue o antigo e histórico bairro da Ribeira, que, como todos sabemos, já na sua fase de decadência, no turno da noite transformava-se em ambiência de prostituição, jogatina e bebidas... O descaso dos poderes públicos e mesmo da população com aquela quadra urbana de nossa cidade, foi tanto, que a desertificação de suas artérias seria de certa forma inevitável. É o que hoje constatamos. Pois bem, a missiva de Dr. Paulo tratava deste assunto e na empolgação dos seus argumentos, esbravejou: - Findou-se a velha Ribeira... , nem "quenga" se encontra mais! Isto foi o suficiente para que alguns amigos, e, ou amantes da poesia, postassem algumas glosas no saite daquele Jornalista, que todo dia passou a publicar duas delas. Uma súbita enchente de emails atravancou aquele endereço eletrônico com glosas, algumas de péssimas qualidade. Madruga não viu outro jeito senão o de dar um basta naquela zorra. O que eu lamentei muito, pois a minha glosazinha chegou, creio eu, na fase de encerramento; e não sendo notada, não foi publicada. Triste fiquei, pois tratava-se de um mote sete silábico perfeito.
Bem, a vida segue o seu curso; mas, para desencargo de consciência, aqui vai a poesia que ficou acidentalmente encoberta:

Mote:
Findou-se a velha Ribeira...
Nem quenga se encontra mais.
Glosa:
Ta igual a "fim de feira",
Desolada e mal cuidada,
Sem extrema-unção, nem nada,
Findou-se a velha Ribeira...
Nem nos antros de "Reieira",
Bordéis de mil bacanais
E de orgias ancestrais,
Hoje, não tem movimento;
Nos "ais" do padecimento,
Nem quenga se encontra mais!


Natal-RN, 25/set./2008
Gibson Azevedo da Costa ( Poeta )

Um comentário:

Diego Ivan disse...

Que mané jogo ruim?
É impressionante como é quente o Frasqueirão a tarde.

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