
Certa vez, há alguns anos, antes de aposentar-se, um colega de trabalho, bem mais jovem, chegou -se com uma pegadinha pra cima de Valdemar:
-Valdemar!, eu estou fazendo um trabalho de português lá no Colégio, no qual o professor nos pediu o significado de algumas palavras. Eu estava me saindo até bem, mas tem uma aqui que eu não consegui desenrolar de jeito nenhum ! Será que você não poderia consultar o seu Aurélio, que é mais completo do que o meu que é de bolso?
- Que palavra e essa "meu bichim"? - perguntou Valdema, como era mais conhecido.
- A palavra é: aleodagem - disse o cínico, evidenciando as sílabas.
- Ah! isto é coisa fácil! Amanhã mesmo eu lhe digo... Não se vexe, não!... - retribuiu com a mesma moeda: o cinismo.
No outro dia, chegou ele com uma estória estranha: que na forma erudita não existia significado; entretanto, no linguajar popular, era por demais conhecido o seu sentido.
- Então diga, Valdemar, o que quer dizer aleodagem! - insistiu o colega, curioso.
- Olhe isto não tem em dicionário, não! Mas o povão sabe que é uma espécie de mofo, que pela falta de uso, dá na parte de trás dos testículos de homens com a idade avançada! Sintetizou Valdemar, orgulhosamente, batendo martelo sobre o inusitado assunto.
Esse acontecido rendeu uma glosa comemorativa ao citado causo:
Mote:
Oque é aleodagem?...,
Argumentou Valdemar.
Glosa:
De conhecida "rodagem",
Viu-se meio embatucado,
Quando lhe foi perguntado:
O que é aleodagem?
Rebateu com malandragem,
Depois de muito estudar
E o "pai-dos-burros" falhar:
"Pru povo e na tradição,
Isto é mofo de cunhão!"
Argumentou Valdemar.
Natal-RN, 30/Set./ 2008
Gibson Azevedo - Poeta
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