terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Temporada

Temporada ( texto)

Vou deixando por aqui, um pequeno mimo poético aos leitores que nos visitam neste blog de intrínsecas raízes tropicais, e à contra gosto, por motivos outros, não tiveram a oportunidade de conhecer o morno prazer dos ventos brandos da esquina do Continente latino-americano. Esse brinde vai à forma de poesia..., fragmentos - uma instância – do verão que passou, e saudando mais uma estação ensolarada; com a sua multiplicidade de cores e cheiros fortes da festiva abundância das frutas sazonais .
A poesia, se analisarmos como um todo, não tem um viés auto-explicativo. Nem os grandes mestres, vates renomados, conseguiram tal façanha. Um sentimento exteriorizado por metáforas pode dar margem a inúmeras interpretações - algumas equivocadas, sobremaneira. Explico: se não fosse uma entrevista dada à imprensa televisiva do nosso país, pelo próprio autor, o poeta Carlos Drummond de Andrade, não saberíamos o real sentido daquele lindo poema chamado: “e agora José?” Ouviríamos uma linda peça poética, sem saber, no entanto, o verdadeiro motivo da sua existência. Isto, porem, é outra história...
Encontrava-me naquele começo de tarde do dia 13 de janeiro, numa certa esquina da Rua Jaguarari, situada no Bairro Barro vermelho desta Capital, quando presenciei o caminhar alegre de duas jovens nativas. Aquelas criaturas quase impúberes, de cabelos soltos ainda úmidos de um banho recente, e exalando inequívocas fragrâncias de sabonete, tagarelavam argentinas, esvoaçantes em suas vestes finas que se destacavam ao contato das peles curtidas pelo sol da estação. Foi um instante de tirar o fôlego... Eu vi a vida em toda a sua plenitude: bastou observá-las!
Não me contive. Desculpem-me se não traduzi a contento a luz que veio à minh’alma:



Temporada

É a revoada dos verões...
Encanto dos olhos
Do bicho Homem:
Ninfas de corpos d’ouro-escuro...
Cabelos corridos..., lábios grossos.
Dão vida, no vaguear, à vestes finas
- que pouco, ou nada, cobrem.
Festa florida das estampas...
-Fragrâncias suadas de cheiros úmidos.
Na pressa dos passos de um destino
Incerto...
Correm céleres, álacres...
Peitando com tetas duras,
Ao morno sopro tropical
Da esquina do Continente;
Encanto dos olhos... Prazeres do faro...
Ah! Delícias dos sentidos!...

Natal-RN, 13/Jan./ 2008.
Gibson Azevedo da Costa (poeta)

PS: gostaria de tomar conhecimento -via comentários feitos pelos meus queridos visitantes- da opinião dos outros; pois que, se se trata do “Pouso da verdade”, não é justo que possa parecer que alguém seja o seu dono. Aguardo, pois, algumas manifestações.
G. Azevedo.

Um comentário:

ggopar disse...

Me gustó este poema, parecería que estuviera reflejando la pintura de un cuadro, pocas palabras pero muy visual.
Lo felicito y le mando un saludo desde Montevideo.
Gustavo

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