Pirarucu (3ª parte)
Agora, no mais sadio
saudosismo, recordo, voltando aos bons tempos, à época quando fora pujante
nossa terra...
Quando já havia
passado o auge das cheias, onde correntezas barrentas e velozes sumiam dos
nossos rios, ficando neles um vagar lento de águas rasas e límpidas, num correr
preguiçoso de águas mansas, que davam vau em quase todo o percurso do curso d’água;
ficavam aqui e ali alguns poços de maior profundidade onde, ao acaso,
encontravam-se presos alguns peixes de maior envergadura. Ali, naqueles poços,
pescava-se o Pirarucu!
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Pescador exibindo um Pirarucu fisgado p/ ele. |
Numa destas
caminhadas, retornando do colégio para a nossa casa, deparei-me, nesta mesma
época, com um pequeno alvoroço no jardim da casa da Dona Rita, nossa vizinha,
onde algumas pessoas se aglomeravam para ver um grande peixe, que fora pescado por
Zé Pereira – seu genro – e alguns amigos. Era um Pirarucu de doze palmos bem
medidos, que pesava aproximadamente uns cem quilos. Estavam naquele corre-corre
de tratar as carnes do peixe e, ao mesmo tempo, contavam a façanha de como
fora pescado. Exageravam na estória, é claro! Zé pereira mostrava o anzol que
utilizara na pescaria, que aos meus olhos de menino mais parecia um armador de
redes; o fio de nylon amarrado nele, e depois de muitos metros preso numa trave
de jucá que servia de carretel, era grosso como um dedo mínimo – mindinho – de um
adulto. Zé Pereira exibia nas mãos os rastros de bolhas deixados pelo fio de
nylon, na luta sem tréguas com o Pirarucu, que teimava em não ser puxado para
fora do seu habitat natural. Luta esta, estimada sem economia, havia durado
mais de uma hora.
Jamais me esqueci daquela
cena incomum. Marcou-me o inusitado... Lastimo ao constatar que, jamais provei
da carne deste grande peixe; contudo, guardo na memória as palavras de um dos
amigos de Zé Pereira – que apesar de vezo às gaiatices, deles, era o mais
bronco. Um ignorante! Quando ele notou o meu interesse pelo aspecto da carne do
animal em questão, soltou a seguinte troça: – “o minino..., parece qui gosta de
carne de Pilaro?”
Natal-RN, 05 de
Julho de 2002.
Gibson Azevedo da Costa
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