Dialetos, mudanças e corruptelas. (Intróito).
“Macacos me
mordam!”, se na maioria dos seres humanos não existe um faniquito que os
impelem, sem motivos aparente, a modificar o que está quieto. Senão vejamos: “Bora,
Fulano!” Nesta expressão, já existe uma boa dose de alterações desde a sua
forma original, oriunda de um remoto Portugal, berço da nossa Língua. Na grafia
daqueles tempos, dizia-se: “Vamos à boa hora, Fulano!” Com o passar dos
séculos, sofrendo a ação corrosiva das abreviações, passou-se a declamá-la da
seguinte maneira: “Vamos embora, Fulano!” Daí para a forma econômica, para não
dizer avara, de: “vambora, Fulano!’, foi um lapso, pequeno período de tempo. Surpreendentemente,
não esgotou-se a ação deletéria e corruptora dos hábitos nocivos sobre estes
inermes vocábulos; chegou-se a grosseria, do: “borá, Fulano!”Não ficou só
nisso, pasmem, os senhores! , pois existem anomalias maiores que as
mencionadas. São formas de ruídos muito próximos dos sons guturais emitidos
pelo homem nos primórdios da humanidade. Na verdade, nos nossos dias, sujeitos
desqualificados, consumidores habituais da “canabis sativa” e de outros
bagulhos congêneres, tratam desdenhosamente esse sublime esforço da comunicação
humana, da seguinte maneira: “bó, Cara!”..., “bó, Mano!”
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Sujeito "muito doido". |
- É muita
falta de peia! – desculpem o desabafo. Estas anomalias e deformações estão presentes
nos vários segmentos da evolução intelectual do homem; trazendo, a reboque,
prejuízos incalculáveis; maculando, irremediavelmente, os setores mutilados. O
cinema, o teatro, a música, a poesia, a literatura, as artes plásticas, os
costumes, a fé: todos sofreram abduções de valores, a guisa duma provável
liberdade de expressão, exercida sem a devida responsabilidade nas toadas
inesgotáveis dos tempos...
Natal-RN, 17 de outubro de 2012.
Gibson Azevedo - poeta.
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