Carlindo Dantas, médico e Deputado Estadual nos idos de mil novecentos e sessenta e seis encontrou, certa feita, com o jornaleiro Bolo-bolo no centro de Caicó, e sabedor que este era chegado a uma lorota, pediu que ele lhe contasse uma piada. Naqueles tempos, Bolo-bolo era o sujeito mais espirituoso que se tinha notícias em um raio de quarenta léguas. Tinha-se dificuldade em saber, quando aquela figura estava falando a verdade ou tratava-se apenas de mais uma brincadeira daquele bufão sertanejo.
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Xexéu na época do ocorrido(o 2º da direita) |
Havia também,
e ainda continua vivo, Xexéu, cidadão muito querido e proprietário de um bar na
esquina do Mercado Público daquela pequena urbe. Servia uma carne de sol
famosíssima! Xexéu era um comerciante despojado que não fazia questão por nada
neste mundo. Certa vez, o seu bar estava abarrotado de fregueses, quando
apareceu um velho companheiro que o convidou a viajarem a Natal, com o objetivo
de marcarem um bingo. Ele olhou para um dos fregueses e disse: Fulano, vocês
vão ficando por aqui, quando terminarem, fechem a porta e deixem a chave lá em
casa! Imediatamente, tocaram o carro com
destino a Capital...
Carlindo assustou-se com o aspecto
tristonho daquele geralmente animado jornaleiro e perguntou-lhe se estava
acontecendo alguma coisa, que, decerto, não estava sabendo.
Alguém doente na família? - Perguntou solícito, aquele que era conhecido como o médico dos pobres... Nada... O velho pilantra não respondeu, tornando-se cada vez mais macambúzio.Diga homem, o que é que está havendo? – Insistiu o parlamentar seridoense. Depois de muita insistência, Bolo-bolo deu-lhe a trágica notícia da morte súbita de Xexéu da carne assada.
Alguém doente na família? - Perguntou solícito, aquele que era conhecido como o médico dos pobres... Nada... O velho pilantra não respondeu, tornando-se cada vez mais macambúzio.Diga homem, o que é que está havendo? – Insistiu o parlamentar seridoense. Depois de muita insistência, Bolo-bolo deu-lhe a trágica notícia da morte súbita de Xexéu da carne assada.
É possível?... É
verdade? – perguntou-lhe, atônito, o destacado médico.
É verdade, Doutor.
Ele ontem foi dormir e não acordou... Amanheceu morto!
Carlindo despediu-se rapidamente e
encaminhou-se apressado para o centro da cidade, local onde ficava o
mercado, e ao aproximar-se viu, com surpresa, Xexéu cortando, como sempre fazia
pela manhã, uma manta de carne, dividindo-a em pedaços menores. A princípio irritou-se com aquele trote, mas,
passados alguns segundos, soltou uma sonora gargalhada e quando lhe perguntaram
o motivo do gesto do hilário, ele confessou que foi pego por um chiste do
arteiro Bolo-bolo. Todos riram à vontade... Assim era Caicó naqueles tempos.
Tomei conhecimento deste
fato através do blog bardefereirinha, por iniciativa dos seus redatores
Roberto Fontes e Clóvis Pituleira. Senti-me motivado a glosar sobre o assunto,
até porque conheci todos os personagens desta história. Observem:
Mote:
Naquele
encontro tolo
Carlindo
ouviu mentira
Glosa:
Ao
topar com Bolo-bolo
O doutor
pediu-lhe um chiste,
Mas
percebeu ele triste
Naquele encontro tolo.
Abatido
e sem consolo,
Diz que
Xexéu não respira...
Caicó
chora e suspira
Com a
surpresa desta morte,
Mas ao
notar que era um trote:
Carlindo ouviu mentira!
Natal-RN, 09 de outubro de 2012.
Gibson Azevedo – poeta.
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