Dia 31 de outubro notei no blog bardeferreirinha, entre tantas
publicações, uma história interessante sobre um indivíduo que havia feito um implante
de cabelo, tendo, portanto, ficado muito diferente da figura costumeira e sem
brilho que exibia até bem poucos dias atrás. O fato é que um amigo, o engenheiro Moacir
Lucena, bom sujeito, mas de jaez zombeteiro, afiançou que aquilo só poderia ter sido implantado de pelagens “das partes femininas”, e que aquela tintura não sobreviveria a um
mergulho no açude Itans, de águas de conhecida salinidade. Por troça, Moacir
forneceu dois motes ao poeta do Acari, Jesus de Miúdo, que abordavam o citado
assunto. Eis os motes:
“Só pode ser um implante”
“De cabelo de buceta.”
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Mocó no seu habitat |
“Ficou depois de pintado”
“Igual a cu de mocó.”
Jesus fez as suas duas glosas,
e eu, de metido, glosei também! Eis as glosas de Jesus de Miúdo:
Eu fiz um breve levante
Do seu mais novo modelo
E pra mim o seu cabelo
Só pode ser um implante.
Destaca a testa brilhante
Deixa sua imagem porreta
Mas a cabeleira preta
Moacir já espalhou
Que você a retirou
De cabelo de buceta
O sujeito ta afamado
Por causa do seu cabelo
Pois bem pretinho o seu pelo
Ficou depois de pintado.
Mas tem nego desconfiado
- De Natal a Caicó –
Dizendo que terá dó
Depois que a cor se perder
E o vermelho aparecer
Igual a cu de mocó!
A seguir, exibo as
minhas glosas com os mesmos motes recém-expostos:
Exibiu velho galante,
Uma vasta cabeleira...
Gritou o
rei da “reieira”:
Só pode ser um implante!
Pois
cabelo abundante
Na cabeça
de um ranheta,
Não se vê
nem com luneta...,
De modo
que a tal peruca,
Na
encolha, cobre a cuca
De cabelo de buceta!
Não fique
muito animado
Com essa
transformação,
Com o
jeito que o cabeção,
Ficou depois de pintado.
É como diz
o ditado:
“Desgraça
não anda só!”
Com a água
de Caicó,
Na
primeira lavadinha...
Vai ficar
com uma corzinha
Igual
a cu de mocó!
Natal-RN, 14 de novembro de 2012.
Gibson Azevedo – poeta.
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